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Essa foto foi tirada em frente a parte da casa dos meus avós, onde ficavam os quartos dos meus tios e o corredor do meu pai huahuahau!

Não sei exatamente o motivo ou se tem uma razão, o que eu lembro é que meu pai era o único que não tinha exatamente um quarto, o pai tinha a cama de solteiro que ficava num corredor que dava para um dos quartos, não lembro exatamente a sequência, mas tu entrava e tinha tipo uma sala grande e a direita tinham dois quartos e em frente mais dois um do lado do outro e o corredor-quarto do pai era no canto a esquerda que dava para um dos quartos, não me pergunte qual era qual, pois a minha memória não acompanha, eu era muito pequena e isso pouco importa, o que vale mesmo são as lembranças super divertidas que eu tenho daquela época. Infelizmente não vivi tudo o que gostaria com meus avós e na casa em Maquiné, mas posso dizer que uma das coisas que lamento foi não ter a oportunidade de conhecer melhor meu avô, pois quando ele faleceu eu tinha 10 anos e o vô Manoel era uma pessoa reservada, de poucas palavras, nunca foi rude comigo, contudo nunca tivemos um momento e eu sempre me questionei e achei uma pena.

A vó Delícia, ja foi diferente, depois do vô falecer e 1996, a vó tadinha não tinha mais condições de tocar a casa e o boteco sozinha, pela saúde e principalmente pela idade, a contragosto ela veio morar em Porto Alegre conosco, ficando um pouco com cada filho, mas morando mesmo na minha casa.

Eu lembro bem mais da vó, ela era amorosa a maneira dela, acredito que antigamente o carinho era transmitido não necessariamente por beijos e abraços como conhecemos hoje, mas através de pequenos gestos e a vó sempre realizava os dela.

A vó foi a pessoa mais católica que conheci, ela acreditava muito, muito em Deus e em Jesus, mas não era uma católica chata, daquelas que queria doutrinar os outros (comigo pelo menos), ela sempre ouvia a missa na radio aliança quietinha no quarto dela.

Era teimosa que só ela, quando morava conosco lembro que ela dormia sentada na sala, principalmente quando costurava alguma coisa e dizíamos: vó, vai dormir na cama, mas ela sempre dava uma desculpa e não ia, dormia sentada, acordava com os roncos dela mesma, costurava mais um pouco e cochilava novamente hehehe!

A vó viveu até o ano 2000, tivemos quase quatro anos de convivência, então pude curtir muito mais ela, conhece-la. Apesar de eu ser pré-adolescente na época, minha dimensão da realidade das coisas era maior de quando o vô faleceu.

Importante mais ainda, foi para meu pai que teve a oportunidade de estar por esse período vivendo com ela, pois a relação deles nunca foi das mais fáceis, meu pai nunca foi santo, contudo a vó nunca foi tolerante, acho que a mágoa maior dele é por ela ter batido tanto nele na infância, isso é algo que o acompanha desde sempre, pelo menos esse é o meu entendimento. Cada um sabe o que vai no seu coração, se faltou amor dela ou demonstrações de afeto por parte dela, graças a Deus não afetou a forma do meu pai ser com os filhos, meu pai sempre foi meu amigo, meu melhor amigo e muito amoroso e segue assim mesmo com os filhos criados e agora transmitindo também para os netos de sangue e de coração 🙂

Acho a história da minha família longe de ser perfeita, mas lindíssima pela imperfeição não ter afetado as gerações que vieram depois. Acho admirável meu pai não ter passado aos filhos o que viveu, reencrevendo essa parte e transmitindo tão bem aquilo que não recebeu da própria mãe que é o afeto dito, demonstrado através de ensinamentos, de companheirismo e amizade com os filhos. Melhor ainda que voltando a falar da minha avó, junto com meu pai, ambos puderam ter o seu momento e um entendimento antes dela encerrar a participação dela na nossa história e na história de meu pai. Obrigada vô, obrigada vó e obrigada pai, pois cada um ensinou e ainda ensina através de si, do que sabe, sabia e não sabia, que ser imperfeito não é ser ruim, é nos forçar a buscar ser alguém melhor.

Carinho Bruna

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