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Sempre que eu olho para essa foto, mil coisas passam pela minha cabeça…

O que eu faria se tivesse a chance de voltar no tempo e o que diria para a Bruninha da foto completando seis anos?

Eu tenho plena consciência que qualquer alteração no nosso passado, transformaria muito o nosso momento atual, contudo o que eu diria para mim mesma, certamente não proporcionaria tão drástica mudança, creio que as palavras a serem usadas seriam muito mais de encorajamento do que alertas.

Alertas não mudam o que pode vir a acontecer, o que tiver de acontecer, irá acontecer a diferença está na tua preparação ao lidar com as situações que a vida trás.

Aprendi muita coisa por instinto, meus pais me educaram muito bem, fui uma criança muito amada, livre, alertada, mas hoje quase aos 26 anos, tenho como conclusão que o encorajamento me fez muita falta.

Não é possível determinar com exatidão quais itens são necessários para cada criança que amanhã se tornará um adulto, aquilo que ela precisará saber para crescer espiritualmente, moralmente mais evoluída.

Acredito que seja praticamente impossível, pois já nascemos com algumas habilidades e desenvolvemos no nosso ritmo a percepção de mundo e cada um tem a sua, nisso concordo que sejamos únicos, por isso é impossível um pai e uma mãe passarem 100% do que tu precisa saber sobre o mundo que te espera.

Foi ai que pensei sobre o que diria a mim mesma sobre o que me ajudaria saber para que eu aproveitasse melhor minhas experiências nos próximos 20 anos de caminhada até a data atual.

O que eu não pude compreender através dos ensinamentos dos meus pais e o que eu não conseguia interpretar sobre o que me acontecia, era o que eu falaria.

Falaria para eu ser mais curiosa, não que eu não fosse, mas que eu não perdesse a minha curiosidade sobre aquilo que eu não entendia bem, falaria para não aceitar simplesmente algo que não era claro na minha cabecinha e perguntar mais para meus pais e irmãos os “porquês” das coisas que eu via.

Teria sido importante para eu interpretar melhor as situações do dia a dia e principalmente interpretar melhor as pessoas. O momento de ouvir mais que falar e falar quando alguém precisaria ouvir. Não aceitar que eu não sei algo e ponto, mas ir atrás para descobrir como fazer.

Lembro que foi mais ou menos aos sete anos que o volley começou e terminou em menos de uma tarde na minha vida. Quando no bairro onde morava estavam dando aulas na quadra da praça que ficava em frente ao meu prédio e eu junto de uma coleguinha da escola, com a mesma idade e talvez do mesmo tamanho ou pouco menor que eu, quisemos participar. Lembro exatamente do exercício que a professora deu: Formamos fila indiana, várias meninas de várias idades tinham de ir em sequência andando em linha reta quicar a bola na cabeça e eu não conseguia fazer isso, a minha amiguinha conseguia. Lembro que ela tinha mais uma ou duas irmãs mais velhas que estavam no treino também e provavelmente ela já brincava com elas de jogar, então ela apesar do tamanho conseguia realizar o exercício, mas eu não. A professora simplesmente perguntou minha idade, respondi: 7 anos e ela: Tu não tem tamanho ainda para participar, fim. Minha amiga com o mesmo tamanho como disse antes e mesma idade, continuou o treino, eu virei as costa sem dizer nada e fui para casa sozinha, olhar o treino pela janela do meu quarto.

Sobre essa história o que eu eu diria a Bruninha de 6 anos?

“Bruninha, não é por você ser pequena que não possa aprender volley. Mesmo que nesse momento a professora tenha te dito isso, em breve tu poderá tentar novamente. Sim ela deixou a tua coleguinha com mesma idade e tamanho treinar, mas isso talvez tenha acontecido, por que ela apesar disso, já consegue realizar os exercícios que ela estava querendo que a turma toda fizesse. Tem muitas coisas bacanas que tu consegue fazer nesse momento, que tal fazer alguma delas agora? Tu faz desenhos tão bonitos! Faz um para eu ver.”

Talvez em outro momento a Bruninha com oito, nove anos ou até mais procurasse aprender volley novamente e através de treinos, desenvolvesse uma habilidade melhor, pois a Bruna de vinte anos depois, apesar de achar muito bacana o esporte, não consegue fazer boas jogadas, nem mesmo um saque. Pena!

Eu diria para a Bruninha palavras de encorajamento e explicaria melhor o motivo de cada frustração por ela não conseguir entender ou fazer algo, mostrando que muitas vezes não é na primeira tentativa que se chega onde se quer e que nisso é saudável ser teimosa.

Encorajaria ela a continuar com os hábitos que possuía e desenvolveu sozinha de acordar cedo, arrumar a cama e ir para a escola e incentivaria ela a também estudar mais, ler mais os livrinhos da biblioteca, pois ela começou super bem as séries iniciais e ao longo dos anos foi perdendo a disciplina que tinha e o gosto por aprender. Essa curiosidade sobre como fazer as continhas, como escrever certo as palavras, que infelizmente se perdeu fez a Bruninha se tornar uma aluna inexpressiva, diria até preguiçosa e que ia nas aulas, mas não tinha a mesma dedicação e organização naturais lá do começo. Pena também.

Só agora na faculdade que ela aos poucos está redescobrindo e restruturando a vontade que um dia existiu nela, sempre é tempo e a lição que fica nesse exemplo é essa 🙂

Queria que ela entendesse sobre não precisar ter medo de ficar sozinha também.

Diria: Bruninha, não fica com medo de ficar sozinha a noite, teus pais e o mano talvez não entendam como é difícil para ti, que no escuro os barulhos ficam constantes e que nem sempre tu sabe da onde eles vem. Sei que tu tem medo de fantasmas daqueles filmes que tu não deveria ver, mas eles não vão aparecer para te assustar, só está você em casa, ninguém pode entrar. Em cima de ti tem tua vizinha e amiga, em todo o prédio, se precisar de alguma coisa, eles vão te atender. Pode demorar, pois teus pais trabalham até tarde, mas eles chegam e tu não precisa esperar no sofá da sala por eles. Sim, tem tevê na sala e o barulho dela te deixa mais tranquila, mas amanhã tu tem aula e lugar de dormir é na cama e tu tem uma te esperando.

Em resumo seria essa a minha intenção, ajudar essa menina que ta crescendo a aceitar, mas sempre questionando e entendendo as coisas que viessem a acontecer com ela ao londo dos vinte anos seguintes, com mais leveza, com mais calma e paciência, principalmente sem desistir de algo por num primeiro momento estar difícil e sempre buscar fazer as coisas escolhidas com mais carinho, mais insistência mesmo que seja trabalhoso, pois no final o esforço sempre é recompensado. Também sempre priorizar o aprendizado e conhecimento, mesmo nas dificuldades que possam existir para poder obtê-los.

Para finalizar: A criatividade deve sempre ser exercitada!

E vocês o que diriam para seus “eus” quando crianças?

Carinho

Bruna

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